onde está a porra do poema?

você roda o porta copos
entre os dedos de suas mãos,
suas unhas raspam as bordas
e logo ele está em retalhos.
assisto suas mãos, o zelo
inconscientemente preciso
dos seus dedos, e
olho pra você. e você
me olha de volta. e volto
a olhar seus dedos parados
agora,
então de novo seus olhos.
você sorri, ri um pouco até,
mas larga o porta copos na mesa.
palavras incompletas saltam
pela minha cabeça.
sussurram ideias que ignoro
porque há coisas mais importantes
no agora que hipótese de poema.
então passa uma semana,
duas, três e mais de um mês, e
não volto a te ver apesar da vontade.
nem volto ao poema apesar da vontade.
é você e o poema que não vêm
a mim.
o que resulta da busca por
um pouco mais de você
e um punhado de palavras
que possam ser ordenadas
com um mínimo de dignidade
é nada. não há resposta. então
aqui estou eu, um mês depois,
inventando coisas, sem saber
se atrás de você ou de um poema
ou se do meu próprio rabo, que,
todavia, balança.
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2 comentários sobre “onde está a porra do poema?

    1. O que me ajuda é ignorar um pouco a ideia de “poema” (ou o que um poema deve ser) e só observar as coisas ao meu redor. Outra coisa boa de tentar, que roubei do Frank O’Hara, é escrever poemas como bilhetes pra alguém, mesmo que ninguém entenda. (Dá pra ver que foi bem o que eu fiz nesse…)
      Volte sempre.

      Curtido por 1 pessoa

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