Andei vendo uns filmes aí #3

Já repararam que a primeira edição dessas postagens tá vazia? Eu só vi agora. Nem sei o que tinha nela pra poder refazer. Prefiro acreditar que não postei um troço vazio por acidente e esqueci. Bem, essa é a terceira edição, mas a primeira não existe, então é a segunda… pois é, acidentes acontecem. (Não vou apagar a primeira edição – a vazia – e mudar os números, fingindo que nada aconteceu.)

TÔKYÔ MONOGATARI [ERA UMA VEZ EM TÓQUIO – YASUJIRÔ OZU (1953)

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Este senhor simpático tinha só 40 e poucos anos na época das filmagens desse filme. Pois é, nem maquiagem pra envelhecer precisou.

Considerado a obra-prima do Ozu, que é um dos principais diretores japoneses, tem algo em histórias sobre velhice que me atinge de modo mais profundo. A última vez que estive à beira das lágrimas por causa de um filme foi em Amor (Michael Haneke, 2012), e agora com esse – raridade das raridades -, notem a semelhança temática. Um casal de idosos vai visitar os filhos em Tóquio, depois de muito tempo sem vê-los. Todos já são adultos – um, inclusive, morreu na guerra, mas os idosos vão visitar a esposa dele -, ocupados com suas carreiras e filhos próprios. Solitários numa cidade grande demais, o casal se sente isolado e incômodo, até que pedem pra voltar. A premissa não podia ser mais simples, mas trata de tantos temas e de maneira tão sutil que é errado dizer que é só isso, mas é difícil explicar o que é que há de mais. Por sorte os japoneses têm a expressão exata pra coisa – a cerca de todos os filmes do Ozu tratam: mono no aware – mais ou menos, o pathos das coisas, aquele sentimento de melancolia perante a passagem do tempo. Essa melancolia não vem puramente da ansiedade, nem é pura tristeza que se sente com a passagem inevitável, é só reconhecimento. O filme é puro mono no aware, como o é aquilo que o espectador sente durante toda a narrativa.

TODO SOBRE MI MADRE [TUDO SOBRE MINHA MÃE] – PEDRO ALMODÓVAR (1998)

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Ou Tudo sobre as coisas horríveis que acontecem ao redor de minha mãe. Almodóvar é conhecido pelos enredos fortes e dramáticos, pude ver em A pele que habito. Mas não esperava tal sequência de coisas horríveis como em Tudo sobre minha mãe. Um pouco do enredo: uma mulher, depois de perder o filho, vai à Barcelona encarar uns fantasmas, e acaba se envolvendo em histórias curiosamente entrelaçadas – na minha opinião, coincidentes demais, mas deixa pra lá -, uma mais trágica que a outra. Em mãos de atores incompetentes, este melodrama não seria mais que uma telenovela barata. Graças a força do elenco e a capacidade da direção do Almodóvar, os problemas do enredo nunca chegam a atingir o filme, na verdade, se tornam completamente acreditáveis, plausíveis, mesmo reais. Fui positivamente surpreendido por esse filme. Admito que lia as sinopses dos filmes do Almodóvar e, conscientemente, os negligenciava, os via como muito melodramáticos – com uma parcela de razão -, mas fui injusto e quero me retratar. Não pretendo fazer uma escavação filmográfica, mas, quem sabe, uma leve exploração mais profunda, só pra saber que mais eu encontro nesse mundo terrível e colorido dele.

IL SORPASSO [AQUELE QUE SABE VIVER] – DINO RISI (1962)

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Dentre os cineastas clássicos italianos (Fellini, Antonioni, Bertolucci, de Sica, Visconti, Rossellini etc.), Dino Risi é um nome que demora a figurar nas listas, mas parece tão importante quanto. Il Sorpasso, ao menos, foi o filme mais surpreendente que vi nos últimos anos. Falo como se fosse novo, mas é uma pérola perdida, só recentemente adotada pela Criterion para nova apresentação. É um road movie típico, que, inclusive, parece ter um quê de On the Road, com seu protagonista porra-louca carismático feito um Dean Moriarty rico e, claro, italiano, mas com o mesmo lado golpista e quase sociopático. Este louco, viajando de carro, cruza com um jovem estudante de direito, tímido. De início, o louco só quer usar o telefone do jovem, logo os dois estão viajando juntos pelo interior de Roma e da Toscana, formando um frágil laço de amizade e, por que não?, uma intimidade quase paternal. Até que. Esse é um filme sutil em todos os aspectos. Desses que só olhar fixamente pro rosto dos atores já desenvolve tantas camadas na história. Não poderia falar nada mais detalhado sem estragar tudo. Sim, vejam essa festa pulsante sobre amizade e amor, família e liberdade, tão próxima do beat, que mistura bebop e Garcia Lorca, preferencialmente, sem ler nada mais sobre ela.

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