turismo (poesia 17)

a nós, os infelizes, não
deveria ser permitido sair
de casa, que dirá do país.
que terrível é conhecer
uma realidade melhor,
suportável em comparação
e, depois, ter que voltar,
um filho adotado devolvido,
e ter que, no ônibus, olhar
seus olhos distantes. te pergunto
no que você tá pensando.
no tanto que eu tenho pra
fazer essa semana, você responde.
é aí que me dou conta da minha
condição irreal na sua vida
e da sua na minha. é isso, não?
você tem emprego e família,
coisas que eu tenho, mas não agora,
dei pausa, ignoro, nesse breve
paraíso artificial em que pude viver
por uns dias. e os dias estão acabando,
passaram tão rápido que já acabaram
e faço esses versos de memória
sobre o momento do passado em
que pensava nessas coisas.
onde você está agora, ampulheta
do meu retorno? me pergunto.
eu volto ao trabalho agora, segunda,
voltei, mas ainda não sei que
porra estou fazendo aqui, nessa realidade
de papelão, que derrubaria com
um dedo, se tivesse coragem.
é o que acontece quando
um de nós, sempre insatisfeitos
com a realidade que nos cerca e
a qual você, com seus olhos distantes,
agora assiste na sua versão,
vê o que não deveria,
quando vemos aquilo que é melhor e,
pra piorar, é alcançável.
felicidade impulsiva,
essa tentação.
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