ritual

você assiste o homem desesperançado se abrir com uma caneta em uma operação ritualística do espírito, se perguntando por que disso, quando a dor se transfere às suas entranhas sem nunca abandonar o operado – multiplicando e espalhando, somente. ninguém sabe o porquê disso. nem ele. é uma dor fútil, desnecessária, insuportável, tão difícil de conter e nunca deveria envolver outras pessoas, e ele próprio sabe. sabe que não devia se abrir dessa maneira, sabe que coisas ruins acontecem quando ele se abre e que sentimentos são gnomos irracionais da infelicidade. que existe uma gaiola na alma, especial para esses bastardos que se escondem atrás dos olhos. que a chave está à mão, mas não deve ser tocada jamais. ele vai, alcança a chave e, não só libera os animais, os expõe – em e ao público. a verdade sobre os demoninhos é que eles não são de proveta, nascem de outras pessoas, e que nunca se deve mostrá-los as suas mães. tudo bem para um público – são todos cegos de qualquer forma –, mas nunca os devolva à origem. ele fez isso uma, duas, talvez três – dessa última nem tem certeza – os putos se perdem com esse tipo de exposição. é tortura, eu digo, tortura, quando essas mães rejeitam os filhos, principalmente porque elas não pedem por eles, nem sabem como eles surgiram. é crime de várias vítimas mas sem culpado e o condenado aqui vive para escrevê-los, acha que os gnomos emocionais se acalmam assim. um tolo perdido de fato. alguém deveria ensiná-lo tudo isso, a manter suas gaiolas trancadas. agora deve ter aprendido, e para seu próximo número escreverá: o melhor é sentir desejo pelo que se sente desprezo.

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