Homens sem mulheres (Onna no inai otokotachi) – Haruki Murakami [2015]

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Muraka, meu velho, já relevei tanta coisa por culpa desse meu apreço pelo seu estilo e suas histórias. Todo o tipo de repetição, frase de efeito e clichê, personagem apático, história sem rumo e saídas sem sentido. Deixei passar, até justifiquei. E sabe qual é a pior? Você era bom. Não li 1Q84, mais de 900 páginas de você, sem tréguas, é muito. Mas li o Incolor Tsukuro et cetera, e você já tinha perdido a mão ali. Faz tempo que quero ler seus contos, só que a Alfaguara não coopera. Primeiro publica um conto avulso como se fosse um livro inteiro (com preço de livro inteiro). Agora publica logo sua coleção mais recente. Não podia ser uma mais antiga, mais atraente, já provada pelos leitores internacionais? Acho que não.

Terminei de ler o livro não faz nem seis horas desde que escrevi a primeira palavra dessa resenha – até chegar ao fim, podem-se passar dias, meses… – e já me esqueci de muito dos dois primeiros contos. Drive my car, e Yesterday, se bem lembro? Dois títulos de músicas dos Beatles, nem um nem outro tão bons quanto Norwegian Wood em nenhum aspecto. No primeiro temos um ator em busca de um motorista. Ele contrata uma mulher jovem, com traços masculinos, silenciosa. Pois é. O conto nem tenta ir pra algum lugar. É só isso. Ou se foi, não foi marcante.

Yesterday ficou mais na minha memória, mesmo que só pouco a mais que o primeiro. É a história de dois amigos de juventude. Um deles, como sempre uma figura exótica, não consegue transar com a namorada por amá-la demais. Pede pra que o amigo o faça, tome o lugar dele como namorado. Alguma coisa assim. Lembra que disse que poderia demorar pra terminar a resenha? Então, meses se passaram desde que esse rascunho nasceu.

Realmente não vale a pena tratar de cada conto individualmente, porque tratam dos mesmos temas: abandono, sexo – daquele jeito Murakami de escrever sexo, nada erótico, meio como uma máquina com algumas peças emperradas -, isolamento, solidão. Esses assuntos típicos e presentes em todos os livros dele. Outra marca registrada: mulher como combustível de ignição para história (surgimento dela, ausência dela, sumiço dela, abandono por ela). Não são esses traços extremamente reciclados da escrita do Murakami que estragam o livro, mas a falta de charme na utilização destes.

O leitor que me desculpe, mas essa é a palavra. A escrita do Murakami nunca foi nada espetacular, ele não é desses que se lê por linguagem. A narrativa, quanto mais dele se lê, mais se repete. O que sempre me faz voltar – e continuará fazendo – às histórias dele me escapa de tal maneira que pode apenas ser descrito como charme. E é isso que falta nessas histórias.

Nem tudo são tristezas. Kino e Scherazade quase compensariam o esforço da leitura total do livro. E Samsa Apaixonado até quase chega lá, não fosse a mão pesada na referência. Acontece que menos de 50% não é o suficiente para aprovar um livro de contos. Mesmo que sempre me doa falar mal de um livro do Murakami, autor um tanto especial para mim, dessa vez a coisa passou dos limites.

Homens sem mulheres é um livro bastante medíocre. Básico na linguagem, repetitivo na narrativa. Talvez, mas espero que não, demonstre cansaço no estilo de Haruki Murakami, já com tantos livros publicados e basicamente a certeza de publicação e venda de milhões nas costas. É triste ver a estagnação daquele que mostrava ser um dos autores mais inventivos do Japão.

Nem fiz questão de jogar o bingo do Murakami com esse livro – isso é uma referência às resenhas postadas no finado blogue, em que consta textos sobre outros 6 (?) livros do autor, em sua maioria mais positivos. Logo esses textos serão postados aqui.

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2 comentários sobre “Homens sem mulheres (Onna no inai otokotachi) – Haruki Murakami [2015]

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