Andei lendo uns livros aí… #1

Seguindo a linha da postagem “Andei vendo uns filmes aí”, esses são os livros que li por esses dias:

O MESTRE E A MARGARIDA (1966) – MIKHAIL BULGÁKOV

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Arriscaria dizer que Bulgákov é um dos únicos escritores russos que sabe rir. Mas apesar do humor contido nessa sátira, dá pra notar uma certa amargura em cada crítica. Em O Mestre e a Margarida, Woland (o diabo em pessoa) e sua equipe surgem em Moscou, na União Soviética, e transformam a vida das pessoas com as quais eles cruzam em caos (dependendo de como eles são tratados). Esse é um romance magnífico em todos os sentidos. Ao mesmo tempo que poderia servir como uma definição de dicionário para a palavra “romance” e ter tudo que se espera dessa forma literária, ele é bastante experimental, brincando com a fantasia e o surrealismo. Como uma mescla de duas tradições literárias, a típica russa e a da crescente vanguarda (na época) localizada na França. Um dos melhores livros que já li.

Leia sinopse e trecho aqui: http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=750

JUNKY (1953) – WILLIAM S. BURROUGHS

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Junky é um romance autobiográfico de uma das grandes figuras da geração beat, William S. Burroughs. Pra quem não sabe, antes de se tornar um grande escritor e depois um ícone/guru da contra-cultura, ele foi viciado em heroína/ópio ou, como o livro coloca, junk. Como todo o livro em linguagem coloquial e, principalmente, em linguagem coloquial de um período específico, a tradução ficou estranha em alguns pontos. Com certeza o tradutor só escolheu a melhor opção possível, Reinaldo Moraes não é nenhum amador, mas não deixa de ficar estranho, até antiquado, em muitos períodos. Sobre a história em si, bastante esclarecedora. Uma visão interna do mundo vício, sem mitos do governo, sem exageros ou reduções típicos dos escritores que se metem a falar de droga sem vivência. Importante retrato do estilo de vida dos “marginais” (pessoas excluídas do sonho americano) da época.

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13320

RABO DE BALEIA (2012) – ALICE SANT’ANNA

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Uma das poetas jovens publicadas pela finada Cosac Naify (ainda não superei). Que livro bom. Vou ser breve falando desse livro porque é muito difícil resenhar um livro de poesias. Não é uma coisa só, exceto que seja um livro de uma poesia só, o que não é o caso. Cada poesia tem sua personalidade e pede por uma resenha individual. Fala sobre tantos temas, da sensação de ser estrangeiro (literal e figurativamente), senti um tom de solidão, de procura e experiência. É curto, mas você vai se pegar relendo várias das poesias. Não consegui acessar o site da Cosac Naify (faleceu com a editora, ao que parece), por isso não vai dar pra deixar o link aqui, mas ele ainda está disponível em livrarias por aí (que não linkarei porque todos conhecem e prefiro não fazer indicações de livrarias, só de livros). Por outro lado, vou deixar o antigo blog da poeta, hoje abandonado, mas que contém umas poesias do livro e outras mais antigas, pra vocês terem uma ideia do que os espera.

http://adobradura.blogspot.com.br/

Até a próxima.

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3 comentários sobre “Andei lendo uns livros aí… #1

  1. Fiquei muito interessada em Bukakóv, mas, nesse post, quem chama mais minha atenção é o sr. Burroughs. Você já leu algum outro livro dele? Faz tempo que eu quero conhecê-lo (suas obras, obviamente), mas não sei bem por onde começar…

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    1. Não li mais nada do Burroughs, mas vi que a Cia. das Letras relançou a velha tradução de Almoço Nu, feita pelo Daniel Pellizzari, que tava esgotada há anos. Mas indicaria antes Junky, o tema é bem denso, mas o estilo é mais simples. Comecei Almoço Nu uma vez, no original (edição que tenho), é uma leitura bem mais fragmentada e complicada. Junky é direto ao ponto. Fora esses, que eu saiba, só tem dele por aí um livro de poesias inspirado por gatos que ele teve, um que ele escreveu com Kerouac, e outro com o Ginsberg.
      Burroughs é outro autor negligenciado. Os livros dele inspiraram um monte de gente no meio da ficção científica e das histórias pós-apocalípticas, mas esses livros das outras fases dele não foram traduzidos. Me surpreende que a Aleph ou a DarkSide, que saem a caça desse tipo de literatura, não tenham dado uma chance ainda.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Obrigada pelas informações e sugestões!
        Fiquei animada em saber que Burroughs tem um livro com Kerouac, apesar da temática inusitada. #VouConfessarQue meu interesse por ambos os autores surgiu em função de Nirvana/Kurt Cobain e cá estou, precisando conhecê-los melhor logo.
        Quem sabe depois disso início uma campanha para que mais obras sejam traduzidas :p

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