Poesia 7

poema de insatisfação juvenil obrigatória

quero escrever sobre minha geração. devo,

devo, do contrário, quem sou eu?

se a vida já é tão curta e o tempo coisa inventada,

se não me situo – torno-me nada

flutuando no espaço.

mas nada, nada é justamente o que esse meu tempo representa,

nada de personalidade

originalidade

loucura.

não vi as grandes mentes da minha geração famintas, histéricas, nuas, uivando.

Posso resumir nosso estado em uma frase solitária:

perdemos os acidtests.

não só o tempo, não só o local,

perdemos em espírito.

não o reinventamos –

talvez fisicamente, com festas e drogas sintéticas e música de barulho de construção

futurista.]

as grandes mentes são invisíveis, não se escondem,

nem são mudos, nem mesmo falam baixo.

a massa é cega surda e muda,

tapam seus sensos, seus sexos e suas almas,

são estátuas, sujas de merda de pombo.

como queria reunir as mentes

desses poucos que usam seus sensos com orgulho e coragem,

reunir cada um deles – músicos, escritores, pensadores, poetas –

invocar o espírito de Ginsberg, Kerouac, Garcia, Hendrix, Joplin, Slick, Morrison,

Apollinaire, Blake, Byron,]

todos. nem que fosse para que cuspissem de desprezo nossas faces indignas.

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