Poesia 6

horrores da guerra

os pássaros cantam, voando ao redor das cadeiras de plástico,

as abelhas zunem pelas lixeiras brigando com os pássaros pelo território,

bicadas e ferroadas em troca de uma bala encharcada de saliva humana indiferente.

a abelha, uma vida por um ideal – militares entre os insetos –

sem propósito, sem conhecimento, sem sabedoria, o que importa é a batalha e a morte

inevitável.]

o canto cessa por um instante, mas a abelha morre,

entrega seu coração em um golpe final.

o pássaro atropela o cadáver, esmaga seu corpo, para alcançar seu alvo, e

bica a bala por um instante, mas a abandona colada ao piso, seguindo seu voo.

a abelha geme seus zumbidos finais, orgulhosa de sua vitória.

chama suas companheiras, em louvor de batalha, a que

elas respondem em canto confiante, ansiosas pelo seu próprio final.

uma delas é pisoteada sem cerimônia por um pé inexplicável e

outra perde uma batalha contra um cão e outra fica grudada no doce descartado e outra

ainda batalha incessantemente]

com um dos inúmeros sóis impenetráveis que a ela muito incomodam e devem morrer.

mas a rainha está protegida

e o mel da honra é infinito.

tudo está quieto no mundo das asas e zumbidos.

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