Não bastasse, agora no instagram

Este blogue se inseriu em mais uma rede, pois é. Ninguém pediu, mas fui pra lá. Agora não falta nada. Se quiser ver umas fotos que podem ou não ter algo a ver com o conteúdo do blogue, me sigam no instagram. Isso mesmo, no istagrão…? estragão? estragon? Pensando num apelido ainda.

https://www.instagram.com/oulipombo/

Pra quem também segue no passaralho (vulgo, twitter) e quer saber qual é a do pombo, tem uma história. Estava eu num café/bar/restaurante em Boi nos Ares, tomando uma cerveja ao meio-dia. A viagem prestes a acabar, esperando um contato extraterrestre. Pousa na minha mesa um pombo e fica me encarando. Uma verdadeira personalidade, a ave.

 

Como o pombo fosse a cara de Georges Perec,

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                                                                                            atendo pelo nome Pigeorges Perec no passaralho e oulipombo no estragão. Pronto. Que história, Mark!

Então, saibam, o pombo é o mascote do blogue como Joan Didion é nossa santa vovó.

Acho que era isso hoje. Deve ter um jeito de botar ali do lado um link permanente pra conta no estragão, já vi gente com isso. Um dia eu aprendo, aí vai aparecer lá, junto do passaralho e do fuçalivro. Falta alguma rede pra eu cair? Lembram dos tempos que eu costumava resistir a essas bobagens. Ainda resisto, mas quantas vezes já me rendi, hem? A vida é isso, uma contínua rendição. Logo apareço com um canal no seutoba – sim, tenho um apelido pra todas as redes. Logo posto uns memes engraçados. Logo posto umas poetarias motivacionais com desenhos e fontes extravagantes e trocadilhos surrados e rimas daquelas que causam mal-estar (amor/dor/por favor/pelamor/catador/falador/morador (sabe, mora-dor, onde mora a dor, entendeu? entendeu?? entednue?!?! NOSSA OLHA PRA MIM EU SOU UM ARTÍFICE DAS LETRAS CUIDADO JOYCE EU TÔ CHEGANDO!!!

Perdão.

Aos poucos vão aparecendo fotos por lá. Aos poucos eu morro por dentro. Venha comigo se aproximar da morte, um dia por vez, vamos juntos.

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Mais 2 livros da Joan Didion e uma correção

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Foto surrupiada do nosso senhor google das fontes perdidas. Não é minha, tampouco é da fonte. Na minha opinião, a foto pertence ao divino sobre nossas cabeças, aquele que nos julga e condena.

Nomeio agora Joan Didion a avó espiritual desse blogue, ela querendo ou não. Se eu montasse um hall da fama do Delirium Scribens, ela teria de figurar nele se não só pelo número de menções. Em 2016, escrevi isto, sugerindo os dois livros dela que então tinha lido. Li mais dois e vou repetir o ato. Este é um blogue, afinal, que preza suas tradições e ícones. Se eu ler mais dois – eventualmente eu vou -, farei outro igual, tantas vezes for necessário até a mensagem se fixar na mente dos leitores prováveis e improváveis.

The White Album (1979) 

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Uma coleção de ensaios escritos e publicados em variadas revistas ao longo da década de 1970 e sobre a década de 1970. Na primeira postagem falei de Slouching Towards Bethlehem, enquanto este era um retrato do fim da revolução, The White Album é uma reação às suas consequências. Joan, agora uma jornalista reconhecida, com família constituída, presente nos círculos literários e roteirista de Hollywood, fala do mundo que a cerca. O ensaio que intitula o livro trata dos assassinatos de Charles Manson. Não é uma peça de jornalismo investigativo, é uma reação ao horror. Ela entrevistou uma das participantes/vítimas do culto. Uma garota jovem como tantas, como a filha de Didion viria a se tornar. Ela escreve sobre os assassinatos pelo ponto de vista de uma vizinha, uma opção de vítima. Ela vivia naquela vizinha, os membros do culto passaram em frente à casa dela na mesma noite dos assassinatos. O pânico do que poderia ter sido rege o tom da narrativa. E esse pânico se mantém em outros ensaios. Didion fala de seu colapso nervoso, de fugir para uma região isolada do litoral com o marido e a filha num esforço por salvar seu casamento, fala de cinema, da experiência de ser roteirista de Hollywood e de ter seu livro mal adaptado pro cinema, e música, principalmente The Doors, banda com a qual ela conviveu durante gravações. A coleção, como sua predecessora (Slouching…), é dividida entre retratos da época, exames culturais e textos pessoais – inclusive passagens que lembram diários e uma transcrição do diagnóstico psicológico dado a Joan nesse período no qual os ensaios foram escritos. The White Album é mais que um retrato de uma década, é uma cirurgia, as vísceras são expostas e cutucadas. Por isso um leitor atual, mesmo que sinta a distância temporal, pode se identificar, em parte por ter sido uma época tão marcante e pelas sensações descritas permanecerem e serem identificáveis em nossa época. Sem falar da qualidade do texto. Joan Didion é uma pugilista literária. A figura pequena e frágil dela esconde um soco na boca do estômago a cada frase e vai te derrubar por nocaute em quase todos os ensaios, principalmente os pessoais.

The Year of Magical Thinking [O Ano do Pensamento Mágico] (2006)

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O livro que tornou Joan Didion uma autora reconhecida e premiada em tempos recentes, já que a maior parte da obra reconhecível dela tá presa às décadas de 60 e 70. Foi, talvez, o ensaio que mostrou ao mundo que a idade não fez ela perder a força. O grande choque veio do fato de o livro ser sobre o período de luto da autora. Pra quem não sabe, a filha dela teve, no começo da década passada se não me engano, uma série de problemas graves de saúde – descritas com riqueza de detalhes no livro. Na noite em que ela e o marido voltavam de uma visita no hospital, o marido, também autor John Gregory Dunne, teve um ataque cardíaco e morreu. Então Didion descreve o processo. Como foi lidar com a morte da pessoa com quem ela dividiu tudo por anos e anos. Talvez um dos textos mais emocionantes que eu já tenha lido, contudo ele não tem nada de sentimental. Por vezes, e esse é o forte do livro, já que ninguém quer ler duzentas páginas de autopiedade – foco parcial do ensaio -, a linguagem é distante, típica da utilizada por jornalistas ao tratarem de seus temas. O luto da autora era isso, seu tema, nada mais. Ela cita os muitos textos médicos e psicológicos que ela leu sobre luto, morte, doenças cardíacas e respiratórias (o respiratório foi o que afetou a filha dela, que morreu pouco tempo depois dos acontecimentos descritos em O Ano do Pensamento Mágico), menciona a falta de textos de não-ficção sobre luto e o tabu da morte – temas bem mais presentes na ficção, inclusive de seu marido, detalhe que ela só percebeu depois dos acontecidos. Esse foi um dos melhores livros que eu já li. Só posso indicar, pedir que o leitor dê a si mesmo essa experiência. Não é fácil, na verdade é desconcertante. O leitor é forçado a encarar sua própria mortalidade e a de seus entes queridos, esse é o efeito que o distanciamento da linguagem traz, fica fácil se botar no lugar da narradora (potencializado pela veracidade da história). Aos poucos, o ensaio vai do relato de uma autora, já de certa idade, lidando com a morte do parceiro e a possível morte da própria filha, lidando com a possibilidade de ter que passar a velhice sozinha, até a realização de que a vida é isso, ela contém em si esse risco, e esses acontecimentos da vida de Didion, mesmo raros, não são exclusivos a ela.

***

A correção 

A postagem anterior a esta foi da série Observações Aleatórias. Aconteceu de eu ter esquecido meu projeto de incluir, em ordem alfabética, uma indicação musical. Então vim corrigir essa falta. Estava na letra D, nada mais apropriado que o disco da vez seja L.A. Woman, do The Doors. A banda foi tema de um dos ensaios de Joan Didion, mas também representa a decadência da transição da década de 60 pra 70. Estou longe de ser fã dos misticismos e poetarias do Jim Morrison, na verdade acho datados pra caralho, mas não posso negar a qualidade da música, não como poesia mas como rock ‘n’ roll – também datado, do pianinho de cabaré ao blues psicodélico arrastado. Mesmo nos seus momentos mais pretensiosos – e cristodocéu como tem pretensão… – o disco funciona. Pronto, tá aí, apesar dos pesares, The Doors funciona. Não posso dizer mais nada.

Trabalho, carreira, psicologia, ressaca (OA #13)

1 – Sem entrar em detalhes, esse ano começou com uma mudança na minha vida profissional. Antes era possível só chegar no escritório de manhã e sair no fim da tarde. De vez em quando, podia até escrever por uns minutos, seja coisas do blogue ou notas para um texto durante o expediente. Agora não dá. Digamos que cheguei num ponto em que um certo grau de compromisso se fez necessário. Além disso, vou ter que viajar algumas vezes esse ano. Isso tudo é pra dizer: terei menos tempo esse ano pro blogue, ou assim parece. Menos tempo pro blogue quer dizer menos tempo pra escrita, logo uso o tempo para outros textos, ao invés de postagens. A ironia dessa história é vou fazer exatamente aquilo que dizia ser meu objetivo quando comecei a faculdade. Passaram os anos e não sou mais aquela pessoa. Embora eu esteja empolgado pras novidades e não possa de forma alguma reclamar da minha situação, não é o que eu quero fazer, é só o que paga minhas contas – a escrita nunca me comprou um sanduíche.

Gostava de não precisar me comprometer muito com o trabalho, isso me permitia uma dedicação maior para o outro trabalho, a escrita. Por outro lado, vou, por enquanto, considerar o lado positivo e acreditar que a experiência pode servir de combustível pros textos. Novos relatos de viagem são garantia. E, fora a ausência no blogue – que não é novidade -, as novas funções não têm atrapalhado tanto assim. Eu atrapalho a mim mesmo com mais frequência. Mas mudanças de tal proporção me fazem querer fugir. Há anos a ideia de fugir me atrai, ridícula e impraticável que seja. Fugir como? Fugir pra onde? Fazer o que depois, fugir da fuga?

2 – Outra coisa em que penso há anos é procurar um psicólogo. Só pra saber se tá tudo em ordem ou, melhor dizendo, identificar o que há de errado. Não faço por medo de um diagnóstico. A dúvida tem um quê de liberdade. Não sei o que eu tenho, logo pode ser qualquer coisa ou nada. Claro, se tenho algo, grave não é, pois aqui estou eu divagando sobre ir ou não ir ao psicólogo, tendo um emprego, um teto, uma rotina et cetera. Se fosse grave, seria óbvio. Ou posso estar errado. Na verdade esse é outra argumento que a voz contrária na minha minha cabeça usa, eu tenho esse jeito de ruminar a mim mesmo a ponto de ser capaz de chegar no psicólogo tentando adivinhar os julgamentos dele, só por estar certo de já ter chegado neles em algum momento da vida. Outro argumento contra é o medo de que uma mente na medida do possível balanceada corte o acesso à fonte de combustível que alimenta esse meu lado criativo, por assim dizer. Teria de ser o contrário, eu sei. Se tem algo de errado comigo, é isso o que me atrapalha e me impede de trabalhar com vontade e ordem.

3 – Desde o ano retrasado minhas ressacas estão monstruosas. Antes não iam além de uma dor de cabeça e um leve mal-estar resolvido prontamente com doses cavalares de água. Hoje a ressaca é uma derrota mental e física. Sair da cama é um desafio, embora eu não consiga dormir (depois do sono da bebida, que não é bem sono). Então vem essa sensação terrível de que algo aconteceu, mesmo que não tenha, mesmo que eu me lembre de tudo da noite anterior, algo aconteceu e foi minha responsabilidade e assim que eu voltar a vida real esse acontecimento vai foder comigo. Então eu me torturo por horas e horas, parado num quarto, tentando beber água e comer, mas isso não alivia a sensação. Alivia, um pouco, a dor física, as dores de cabeça e no corpo. A parte mental se mantém firme e forte e bagunça inclusive a noite de sono do dia seguinte. Sim, são quase onze horas da noite e estou escrevendo isso por não conseguir dormir. Fico pensando na noite anterior e no que as pessoas comigo podem dizer, penso no seja lá o que foi que eu fiz – que na verdade é nada e ninguém tem nada a me dizer, eu sei disso e não importa.

Estou considerando reduzir drasticamente meu consumo de álcool. Não passar de uma ou duas cervejas, no máximo três. Uísques, vinhos, se consumidos, não passando de uma ou duas doses, seguidas de água. Não por saúde, não por questões de comportamento. É medo da ressaca.

Nicotina virou minha droga favorita. Não tem ressaca, os efeitos passam rápido. Claro, moderação é tudo. Nunca vou além de um cachimbo em dias de semana, dois ou três no sábado, um charuto no domingo. Considerando os hábitos de Thomas Mann de doze cigarros e dois charutos por dia, sou quase um monge. O álcool me maltrata.

Vou tentar dormir agora. A semana vai vir como se nada tivesse acontecido. Nada aconteceu.

Na quinta choveu – parte 2.3 (diário de viagem #14)

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Foto do google imagens, ou: https://cdn.theculturetrip.com/

Na quinta, choveu – 2 – Tarde, San Telmo (parte 3)

O Museu de Arte Contemporânea está logo ao lado. Passo em frente. Ter que deixar minhas coisas em um lugar outra vez e pagar entrada e andar por salas imensas me desanima. Quem sabe outro dia volte pra esses lados, num dia que não esteja chovendo. Minhas pernas já doem um pouco, levando em conta as poucas horas de sono, as voltas pelos aeroportos anteontem, mais a caminhada de quase uma hora que encerrou a noite. Sigo o caminho reverso da minha vinda até encontrar um restaurante simpático de esquina, destes frequentados por idosos saudosistas cheios de memórias de refeições passadas naquele mesmo lugar, da amizade íntima com o garçom e com a mobília, que sabem o cardápio de cor e salteado, já provaram cada prato e hoje comem sempre a mesma coisa, o predileto, o de sempre. Assim que passei pela porta, me senti indesejado. Sento a uma das mesas e aguardo receber o cardápio, o que acontece rápido, apesar do garçom ter me dado a impressão de que preferiria que eu fizesse o pedido sem olhar. Calculo mentalmente – e errado – a conversão dos preços e me decido pela milanesa com batatas fritas, mais pela tradição que qualquer coisa, quero me infiltrar. Claro, ninguém ao meu redor pediu isso. Apenas turistas vão atrás dos tais pratos típicos. O garçom vem com uma cesta de pães e eu digo que não precisa. Ele insiste e eu continuo recusando por ter visto no cardápio que não é de graça. Acabo de ganhar a antipatia do homem, capto na expressão dele o exato momento do câmbio do neutro pro negativo de sua percepção sobre mim. Como o bife, que é do tamanho do prato, e as batatas sob e ao redor dele. A falta de sal e tempero na culinária argentina, alvos de tanta reclamação brasileira, não me incomoda. Temo estar perdendo o paladar com o passar dos anos. Uma mistura do efeito solvente dos álcoois e do calor do tabaco na língua, aos poucos a percepção do sutil se esvai. (Quanto exagero!) A refeição é agradável o suficiente. A presença dos locais me constrange e me sinto um invasor e peço a conta quase sem dar um tempo após o último gole da água que pedi pra acompanhar o prato, quando deveria ter pedido uma cerveja ou um vinho. É nessas horas que deveria revidar zerando a gorjeta. Nunca faço, sei lá eu por quê. É um ciclo: turistas deixam de dar gorjeta, garçom pega bronca de turistas, garçom trata mal turistas, turistas deixam de dar gorjeta. O que veio primeiro? Normalmente daria vantagem ao garçom, mas Buenos Aires quer te convencer do contrário a cada restaurante. Salvo no Café Oso, aquele garçom foi simpático. E a garçonete no bar de ontem à noite, que aceitou trocar a música quando eu pedi, mas ela era colombiana e não conta. Ano passado tinha uma num café, acho que na Jorge Luis Borges; não encontrei esse lugar de novo, acho que fechou. Acontece que gosto da indiferença dos garçons locais – ou a indiferença da maioria deles, que seja – e gosto de ser deixado em paz. Fica a pergunta: são os garçons daqui antipáticos ou os do Brasil excessivamente simpáticos? E que mania a nossa de exigir sorrisos de quem nos serve? Dou a gorjeta. Sou até mais generoso que de costume, como se quisesse provar alguma coisa, buscar aprovação. Não recebo aprovação. A cara amarrada que me recebeu não me viu sair, porque estava de costas tocando o foda-se.

Cristo, que porra acontece depois? Como não poderia deixar de ser, me perco. Viro pra um lado quando era pra virar pro outro, em algum ponto, e sigo andando, mesmo quando sei que deveria reconhecer todo o caminho de volta, mas não o reconheço. Confundo um ponto de ônibus com o ponto do metrô ou fico com a impressão que vi um ponto de ônibus como aquele ao sair do metrô. Peço informação pra funcionária ali presente. Parece tão perdida quanto eu. Abro o mapa e vamos nos localizando. Aqui é a rua tal … você tem que chegar aqui … pra isso, tem que dar essas voltas. Pego a rua que ela indica e chego no metrô quase uma hora depois. Busco o endereço de uma cafeteria de que ouvi falar quando pesquisava lugares pra conhecer, mas envolve outra caminhada de meia hora que não sei se meus pés aguentam; o mesmo vale pro museu Xul Solar. Paro em café, no caminho entre a linha de metrô da Plaza Italia e a rua do hotel. Sento e peço uma água e um espresso duplo. Tiro o Onetti da mochila, um tanto mais pesada, e quase me surpreendo com a presença dos nove outros livros abarrotados lá dentro, e eles me lembram que estou perto de uma livraria de acervo bom o suficiente pra que tenham o presente de Alana. Decido passar lá antes de voltar ao hotel. Depois de uma olhada geral nas estantes, inclusive na pilha de destaques – na qual vários livros me tentam e da qual acabo separando Las cosas que perdimos en el fuego, da Mariana Enríquez. Há tempos o livro traduzido me tentava. Me preocupa que ainda é quinta e talvez esteja me excedendo nos gastos. Me acalma a mentira que diz que posso comprar menos nos próximos dias. A vendedora logo encontra o da Clarice: tem Perto do coração selvagem e A paixão segundo G. H. Levo o primeiro. No hotel, leio as primeiras frases de Clarice traduzida e gosto do resultado. Aprovo a tradução, mesmo que minha aprovação não valha nada e eu nem saiba direito por que a aprovo, só parece certa o suficiente e eu tenho mania de analisar as coisas até quando não tenho conhecimento para tal. São quase cinco da tarde. Tomo um banho, que tira de mim a caminhada. Deito na cama até as oito. Passo as horas folheando cada livro, meio desorientado pela quantidade, sem saber por qual começar.


Essa é a última parte do relato sobre San Telmo. Se você não viu as outras partes, veja:

1 – https://deliriumscribens.wordpress.com/2017/12/05/notas-sobre-a-crise-da-chegada-e-na-quinta-choveu-parte-1-diario-de-viagem-2-3/

2 – https://deliriumscribens.wordpress.com/2018/01/09/na-quinta-choveu-parte-2-1-diario-de-viagem-2-4/

2.1 – https://deliriumscribens.wordpress.com/2018/01/14/na-quinta-choveu-parte-2-2-diario-de-viagem-13/

E o diário todo pode ser lido aqui: https://deliriumscribens.wordpress.com/category/zuihitsu-ba/

O Podcast voltou!

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Meu povo e minha pova, o Baderna Literária, após um “hiato” (também chamado desistência) de dois anos, voltou. Agora vocês podem ouvir ao Ernane e a mim falando merda por uma hora e meia.

O podcast foi subido num canal do youtube que vocês podem seguir, caso se interessem.

https://www.youtube.com/channel/UCvwcZNoK7tWIXy8gB6N2eKg

Também tem feed, pra quem entende disso.

http://feeds.feedburner.com/badernaliteraria

O itunes tá em revisão. Vou revisar isso aqui quando estiver tudo em ordem. Enquanto as coisas tão em construção, você pode baixar o mp3:

https://www.4shared.com/mp3/TR-9ZAW_ca/Baderna_literria_1_-_poetas_op.html

Você, leitor, é inserido no mundo dos podcasts? Me ensina, porque eu não sou. O que me contaram (o Jão, do Pontocast, visitem) foi que esse método de hospedagem via youtube gera arquivos muito pesados no feed, pra download. Eu sei, sinto muito, mas soundcloud ou quaisquer hospedagens de áudio são caras demais pra um projeto como esse, que não me gera renda alguma. O 4shared vai ser uma alternativa, mas é alheio ao feed. Logo, fica essa divisão complicada. Vejamos, são os primeiros passos. Uma vez estando tudo em ordem com o itunes, acredito que as coisas tomarão forma. Por enquanto será desse jeito: hospedagem no youtube, com canal pra quem queira seguir ou ouvir por lá; feed via feedburner e, logo, tomara, itunes, pra facilitar a distribuição; arquivo mp3 pra download via 4shared, e o link pra isso aparecerá em todas as descrições do episódio (no youtube, no itunes e aqui); além disso, postarei avisos aqui sempre que houver um novo episódio. Temos mais coisas planejadas, mas nenhum calendário, então só posso pedir que aguardem.

Isso foi só pra dizer isso.

Na quinta choveu – parte 2.2 (diário de viagem #13)

Na quinta, choveu – 2 – tarde, San Telmo (parte 2)

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Mesma coisa da outra vez, estava chovendo então não tirei a câmera da mochila. Essa foto veio do: buenosaires.travel

Chega um rapaz, parente de Jorge, talvez?, ou frequente da livraria ou funcionário. Jorge comenta que ele é músico. Toca um dueto de Lady Gaga com Tony Bennett e os três, Jorge, a colombiana e o recém-chegado, passam a falar da qualidade surpreendente da voz dela. Concordo mas não me junto à conversa. Perco o fio da meada e não consigo entender mais quase nada, as falas viram palavras soltas e não consigo formar as frases na minha cabeça. Sigo escolhendo os livros, faço somas e separações, conto o dinheiro no meu bolso na base do tato, formulo prioridades de leitura. É o que dá enfiar anos de busca literárias em seis dias. Muda o assunto, falam do terremoto no México. Um dos muitos acontecimentos durante minha ausência da realidade. Vi notícias nas televisões dos cafés, mas estava tão distante, parecia ver o acontecido por detrás de um véu. Lia notícias do Brasil pelo celular e pareciam ficção, coisa de sonho, como se ao voltar nada fosse continuar ali, no real. A colombiana pergunta pra qual lado fica a feira de artesanatos. Jorge explica. Escuto a explicação porque fará parte do meu destino.

Entendi. Outra coisa, ela diz, como eu faço pra voltar pra Palermo de ônibus?

De ônibus? Mas onde em Palermo?

Plaza Italia.

Olha, bem mais fácil é pegar a linha C, do metrô, seguindo reto pela Estados Unidos. Desce na 9 de Julio, que cruza com a linha D, que chega na Plaza Italia.

Esse é o caminho inverso ao que eu fiz pra chegar. Ela ouve até o fim, querendo interromper, então explica: Eu sei, é que hoje de manhã a linha estava fechada. Eu não sei por que, mas a porta estava fechada.

Ah, pode ser manutenção ou coisa assim. Você tá sabendo?, pergunta pro músico.

Não.

É, de ônibus é um caminho mais chato. Tem muitos pontos, então não se preocupa, é só que demora mais e tem que prestar atenção pra não descer ou cedo ou tarde demais.

Decido me meter – e, admito, saber o que tinha acontecido com a linha do metrô e sua condição atual me dá um orgulho besta –: Com licença, é da linha D que você precisa? Não sei o que aconteceu, mas acho que já voltou ao normal. Eu cheguei por ela, acredito que você já estivesse aqui por essa hora.

É mesmo? Bom, então é só pegar a linha C, isso?, e confirma o trajeto com Jorge, enquanto junta os livros comprados e pega seu guarda-chuva.

Noto que é quase meio-dia. Pergunto a Jorge o caminho pro Museu de Arte Moderna, depois que a colombiana foi embora, e ele diz que é uma linha reta até eu chegar em Defensa, então outra linha reta que dará de cara com um museu, não tem como errar. Reviso cada livro separado com cuidado e digo quais vou levar.

Todos esses?

Isso.

Muito bem. E com uma calculadora ele soma cada preço. No fim, arredonda o total e me dá um desconto de quase cem pesos. E não fala pra ninguém desse desconto, viu? É porque a compra foi boa, você é brasileiro, o que é raro de ver por aqui, então faço um preço melhor.

Combinado.

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E essa veio de: turismo.buenosaires.gob.ar

Oferece um saco plástico. Aceito mesmo que eu vá guardar os livros na mochila. Ainda chove, mais forte agora. Agradeço e vou embora. Pego o mapa pra garantir que estou indo na direção certa da linha reta. Se me confundo, acabo voltando pra estação. O vento bate e revira o guarda-chuva. Aponto o guarda-chuva pro vento e ele se conserta. Isso acontece algumas dezenas de vezes ao longo da caminhada. Lojas e mais lojas de quinquilharias fazem eu me lembrar de uma ou duas amigas no Brasil. Não há uma alma no piso plano cheio de poças de diferentes tamanhos onde se reúnem os artesãos na feira de domingo. De vez em quando, se aproxima das minhas costas alguém que caminha mais rápido que eu e eu abro espaço pra que passem. Escuto, em cada ultrapassagem: gracias. Leve ardor nos calcanhares indica feridas prestes a abrir. Passo debaixo de um viaduto. Estrondo dos carros sobre minha cabeça e as gotas d’água batendo no chão e no ferro das montagens da feira permanente. Filas de barracas como bancas de jornal, algumas com nome, várias pichadas, suas portas de ferro fechadas por causa da chuva, acredito. Mas Jorge não disse à Colombiana que a feira permanente fechava na chuva. Talvez seja só essa parte ou isto aqui não seja a feira e eu nunca venha a encontrar a tal. Aqui, em San Telmo, as calçadas são mais estreitas. O cenário é antiquado, traços de ruína estão por todas as quadras. Restaurantes tradicionais, cafés, vários e vários. Palermo e San Telmo nem parecem a mesma cidade. Outras classes sociais. San Telmo não carrega aquela pretensão, aquele ar europeu. É América do Sul pura, ou quase. Talvez não chegue a tanto. Talvez não exista América do Sul pura em Buenos Aires, como não existe em São Paulo. Talvez América do Sul pura nunca tenha existido, seja só uma ilusão. Quadras passam, dou de cara com o Museu de Arte Moderna. Sua entrada coberta por um grande cartaz anunciando a retrospectiva da obra de Liliana Maresca. Deixo o guarda-chuva na entrada, onde fica um guarda, ao lado do porta guarda-chuvas. O guarda etiqueta meu guarda-chuva e me dá um comprovante. Vou a recepção, pergunto o preço da entrada. Pago, mas a atendente me diz que antes devo deixar minha mochila no guarda volumes. Basta que eu bote uma moeda na porta. Não tenho moedas, então ela me dá uma. Um peso? Dez pesos? Não sei, algo entre vinte e cinco centavos e dois reais. Se tinha que devolver ou se ela estava só me mostrando, não me dando a moeda de presente, nunca vou saber. Pego a moeda e a levo até a porta, enquanto o guarda me acha tão perdido a ponto de avisar que tenho que escolher uma que esteja aberta. Deixo a moeda em seu lugar, tranco a porta e guardo a chave no bolso. Passo em torno de uma hora ou uma hora e meia no museu. Primeiro na parte dedicada a Liliana Maresca, seus desenhos e máscaras, esculturas e montagens, fotos, fotos dela, fotos dela nua, fotos das obras, fotos dela com as obras, fotos dela nua com as obras, manchetes de jornal, pedaços de biografia, vídeos em loop com entrevistas e aparições públicas. Toca um punk rock em espanhol. A exposição tem um lado punk. Penso em tirar fotos, mas deixei a câmera na mochila quando confundi o sinal proibindo fotos com flash com uma proibição de fotos em geral. Me dou conta da confusão quando vejo uma garota tirando fotos com o celular dos rascunhos da Maresca. Quero saber por que ela tira as fotos, se é estudante, se é fã. Sigo pra outra sala e pra outra. Fico tão admirado com a obra e personalidade dessa figura até minutos atrás desconhecida.

(E essas de: artsy.net / ramona.org.ar / buenosaires.gob.ar)

Vou pra outra exposição, no andar de cima, mas não senti nada por ela. Noto uma decoração estranha pela escadaria. Há uma estranha comoção em frente a uma das salas do segundo andar. Nada dentro dela, que se possa ver com clareza. Mantenho a distância, por não ter sido convidado a participar do seja lá o que for que venha a acontecer logo mais. Vejo o que parece uma fila de mesas de buffet e mais nada. Alguém que pode ser um garçom surge e entra na sala e some lá dentro. Sigo pra exposição do autor de nome desconhecido. Outro, como Liliana, que morreu cedo. Parte da obra dele envolve música eletrônica e jogos de luz, puro neon. As batidas são ouvidas somente como se vindas de muito longe, passos ecoando num corredor distante, marteladas pregando um prego na parede de um cômodo do apartamento vizinho. Bandeiras dos Estados Unidos, em neon, em tecido, em diversas cores, com títulos sugestivos: vermelho sangue, entre outros. Casal deita em meio a várias almofadas num canto da sala. Com fones nos ouvidos, assistem uma apresentação em loop numa televisão antiquada, daquelas estilo caixa, disposta no chão em uma ponta da sala. Completado o círculo pela sala, volto ao corredor e dou uma última olhada nos arredores pra ver se não há mais nada. Agora, pessoas bem vestidas ocupam a sala antes vazia. Um garçom próximo à porta carrega uma bandeja prateada com taças de espumantes. Considero a possibilidade de me infiltrar e só não faço por não ver comida. São quase duas da tarde e preciso almoçar. Pego de volta o guarda-chuva e a mochila e volto à rua. Ainda chove.

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E essa tava no site do MALBA. Mas tudo foi tirado do google imagens.

Na quinta, choveu – parte 2.1 (diário de viagem #12)

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El Rufián Melancólico – Uma das poucas fotos no diário que eu não tirei. Achei no google, veio do site welcomesantelmo.com

Na quinta, choveu – 2 – tarde, San Telmo (parte 1)

Seguro com uma mão o guarda-chuva aberto. A outra tenta abrir o mapa que um funcionário do hotel me deu. A feira diária não abre quando chove. A livraria de usados que queria conhecer deve abrir. Rua Bolívar, se não me engano, que cruza com a Independencia, onde estou, ou com a Estados Unidos ou com a Defensa, todas estas formando uma espécie de malha. É pra ser uma linha reta, quase. Me impressiona a facilidade que tive pra encontrar o lugar. As quadras, como sempre, enganam a vista de tão grandes. Sempre deixam a impressão de se ter andado demais ou de menos, dependendo do meu grau de cansaço, hoje moderado. Passei a noite passada procurando um lugar com cerveja de qualidade pra que eu esquecesse minhas tristezas. A cerveja não era ruim e o lugar estava vazio. Me sinto melhor que ontem. Veio aquela mesma sensação de estar flutuando pelas ruas, igual da outra vez. Uma sensação quase extracorpórea, como assistisse de fora meus movimentos. Duas versões de um corpo, distantes entre si, sem que uma se perdesse de vista da outra. El Rufián Melancolico, encontro. Como eu esperava, um recanto de tranquilidade mais parecido com uma ruína ocupada por uma espécie de ermitão literário. Num canto, uma mulher folheia um livro. Perto dela, um homem de certa idade parece estar fazendo nada. Estão entretidos o suficiente com o seja lá o que for pra que eu entre sem ser percebido. Passo pelas pilhas de livros. Absorvo o aroma típico desses lugares parados no tempo. Toca um jazz ambiente que pouco se esforça pra ser ouvido. Finalmente, passo pelo campo de visão do homem e ele me cumprimenta, chamando a atenção da mulher, e ela me cumprimenta também. Retorno os cumprimentos. Sinto como pudesse me esconder entre aquelas pilhas de velharias e raridades sem ser encontrado, como pudesse fazer daquela livraria uma morada. Ninguém pergunta quem eu sou ou o que faço ali. Paro na estante etiquetada Literatura e passo os olhos pelas lombadas. Dou de cara com Onetti, Jorge Amado, Benedetti. Mas é muito pra processar de uma vez. Fico sem ação. Pego uma cópia de El Astillero, folheio. Antiga, parece frágil. Essas antiguidades nunca são tão frágeis quanto parecem. Reparo, mas só depois de uns bons minutos de encarar lombadas como um ventilador de coluna quebrado, que nenhum dos livros na estante são de argentinos e, embora alguns livros sejam por poetas, nenhum é de poesia. Vou até o senhor e pergunto onde está a poesia. Ele aponta pra estante que ele e a mulher inconscientemente bloqueiam. Peço licença, eles pedem desculpa, abrem espaço, passo e mudo a posição da minha imitação de ventilador. Ainda carrego a cópia de El Astillero. Encontro a obra completa do Borges. Do Borges, só as poesias li em espanhol; os contos, só por tradução. Pego El Aleph. Meu hábito em livrarias, pegar os livros interessantes e os reunir em uma mão. Não quer dizer que vou comprar todos eles; é só uma forma de separar candidatos, uma pré-seleção acompanhada de cálculo mental. São muitas opções, não posso decidir sozinho. Ouvindo a conversa atrás de mim, descubro que o senhor é o dono do local e se chama Jorge, a mulher nunca diz o próprio nome, é uma colombiana e veio atrás de livros específicos para sua pesquisa, cujo tema desconheço. Quando a conversa para, decido começar a pedir indicações. Antes pergunto se tem algo de Nicanor Parra.

Não, dele não temos nada. Completou cento e dois anos, acredita? Um grande homem, tive a chance falar com ele quando estive no Chile, sei lá eu quantos anos atrás, ele diz, então se distrai nas memórias. Alguém quer um café? Vou buscar ali do lado.

Tanto eu quanto a colombiana recusamos. Ah, ok, pelo menos a viagem vai ser barata.

Volta com o café com leite na mão. É quando pergunto se há na literatura argentina algum autor o qual ele acredite não ter recebido o reconhecimento merecido. Ele me olha cheio de dúvidas. Explico que sou brasileiro e estou no meio de uma exploração pela literatura argentina.

Estudante de literatura?

Não, é só um hobby.

Certo, e se aproxima da estante de literatura argentina. Agachado pra alcançar a última prateleira da estante, diz: Borges, Bioy Casares, Arlt, Cortázar, Sabáto, esses você …?

Sim, conheço.

Bom, bom, já passou do básico, tá atrás de coisas mais desconhecidas mesmo.

Isso.

Então ele dá início a uma lista infinita de autores. Começa com Benito Lynch, um autor bastante tradicional, gauchesco, por isso não se fala dele esses dias, mas é ótimo. Histórias mais do interior, do campo, sabe? No Brasil … de onde você é?

Sul, Itajaí, mais pro litoral, perto de Florianópolis.

Sim, Sul, Florianópolis eu conheço. Existe uma proximidade entre o Sul do Brasil e a Argentina, culturalmente falando. Com esse tipo de história, você vai ver.

E empilhava os livros em minhas mãos enquanto falava dos autores e autoras, de quando eram, do que tratavam, o que esperar. Se te interessa teoria literária, se bem que você falou que não é estudante, mas não importa, esse é muito bom mesmo assim, Enrique Lynch.

Pega outros dois do Benito Lynch.

Engraçado, dois Lynch, Enrique e Benito, eu digo, enquanto Blue Velvet toca ao fundo, não sei quem interpreta a versão.

Tenho entre quinze e vinte livros empilhados sobre uma banqueta. Analiso superficialmente cada um. Lembro de algo e pergunto se ele tem o primeiro da Clarice Lispector, aviso que é uma autora brasileira.

Não, não temos livros em português.

Estou perguntando se tem traduzido, é um presente.

Ah, não, dela não tem nada. Sabe, gosto muito de literatura brasileira, mas vocês são muito egoístas com tradução, diz Jorge.

Mesmo? Vejo um monte de autores brasileiros por aqui.

Sim, mas, por exemplo, Guimarães Rosa. A obra dele é imensa, mas aqui se encontra um, dois livros traduzidos.

Traduziram Guimarães Rosa?

Mas claro.

Tô surpreso, parece um autor intraduzível.

Muito se perde, é verdade, mas isso vale pra todos.

É que a literatura do Rosa tem muito neologismo, são palavras que nem a maior parte dos brasileiros conhece, linguagem oral do sertão (e falo sertão em português, na esperança que ele entenda) transcrita por ele.

Certo. Não sei o que fizeram, mas conseguiram adaptar, acho. Deve ser o mesmo quando pegam um autor mais do interior da Argentina.

Tenho que ver, não sei se tem muitos deles traduzidos. Tem muitos autores argentinos, mas são os mais conhecidos, só, os clássicos ou os contemporâneos premiados ou na moda, não tanto literatura gauchesca. Do Cortázar e Borges tem quase tudo, César Aira, por exemplo, tem aparecido. Mas Alejandra Pizarnik, que tem uma linguagem menos traduzível, não tem nada … nada de poesia, só a novela … me esqueci o nome, e Benito Lynch só fui conhecer hoje aqui.

Entendi, achei que tivesse mais.

Aqui tem muito Paulo Coelho e Jorge Amado.

Sim, mas esses não contam. Jorge Amado foi, sim, um bom escritor, às vezes, e tem quase tudo dele aqui, se não tiver todos, não sei. Vinícius de Moraes também é muito traduzido. Um bom poeta. Sabe, e agora se dirige também à colombiana, que de vez em quando nos ouvia, anos e anos atrás, fui a um concerto do Astor Piazzola acompanhado de Vinícius de Moraes. Ele era letrista, sim?

Sim, da bossa nova.

É, aquilo foi um espetáculo, um momento da história.

***

Obs.: Essa parte do diário é mais curta porque esses textos não foram pensados como postagem de blog. O relato sobre quinta é bem longo e essa parte, sobre a tarde, ainda se estende por algumas páginas. Esse foi um bom ponto pra cortar, mas seria mais apropriado ler a coisa toda de uma vez.